Rita Lee por Norma Lima - Blog oficial do Fã Clube

Rita em Santos por Duda e Dani

domingo, 29 de março de 2009

Por todos os Santos, parece que o Pic Nic baixou por lá com a corda toda. Cidade em que moram pessoas muito queridas minhas, como Rose e sua família, que conheci aqui no Rio quando ainda estava na quinta série, e que de vez e quando dá o ar de sua graça neste espaço. As srtas Frontarolee e Duda contaram como foi a bagunça lá. Cabe acrescentar dois detalhes: Duda, uma santista 100%, ganhou a promoção de uma rádio e encontrou a Rita no camarim. Mais do que merecido. Disse-me ela, depois no MSN, que não conseguiu falar coisa com coisa com Ritinha, mas que gostaria muito de ter dito o quanto era grata pelo meu blog, pois que, ao lê-lo, se sentia presente nos shows em que não podia ter estado. Isso me deixou um bocado feliz, pois é justamente essa a minha intenção com esse espaço. E é por causa de pessoas como a Duda que o venho mantendo. Uma outra boa da noite foi a da menina Fernandinha, que não é a das tatuagens, e sim uma ferinha que tenta falar com a Rita há alguns shows. Para tal, usa camiseta com pedidos desesperados para que a levem até à Rita, escreve cartas e cartas… uma delas foi entregue em pleno palco à Rita na última noite de 27/3. Quando vejo essas coisas, lembro de mim, que nunca pensei em falar com a Rita durante 29 anos!
Passemos aos relatos, com nossos thankx de sempre pela gentileza das meninas enviá-los à nossa caixa postal:

“Sou fã da Rita desde os meus doze anos, hoje estou com 26 e tive a oportunidade de estar ao lado dela, dizer o quanto eu a amo…
No começo, como não tinha grana, ia a várias livrarias da cidade e em cada uma lia um pouquinho da vida dela  na biografia Rita Lee mora ao lado…
Ficava sonhando com o dia em que a encontrasse…
Na semana que antecedeu o show em Santos ,sonhei quase todos os dias com ela…
A emoção de estar do lado da Rita é inexplicável, minha cara diz tudo!!! Eunão cabia em mim de felicidade.
Aquele dia recebi uma injeção de ânimo que vai ficar pra sempre na memória.
Mas se vcs acham que estou satisfeita,enganam-se agora eu quero mais e mais,a Rita é meu melhor vício!!!
Agradeço à querida Norma pela oportunidade e a Rita por existir e fazer um monte de gente feliz!!!”  


”Eu cheguei em Santos e não passou muito tempo pra eu ver o restante do povo chegando: Rubinho, Edna, Fernanda, Pedro, Lili, Julia e tantos outros que estavam lá presentes pra mais uma vez ver a Rita… até a minha mãe foi desta vez.
A casa era uma boate definitiva… tem globos e tudo o mais..deve rolar altas baladas lá. A casa abriu as 22hs e ja saimos correndo pra fazer a famosa grade com os braços pra guardar lugar pra quem chegava. Tinha também uma grade (de verdade hehe) baixíssima, pq o palco era baixíssimo tb. Pela primeira vez na vida essa grade não me atrapalhou… mesmo com ela ali dava pra dar umas encostadas quando a gente cansava e ela não atrapalhou dar a mão pra Rita e mandar beijo e gritar que ama e dar carta, presente…e todas as coisas que o publico gosta de fazer pra se mostrar presente e carinhoso.


O show começou meia noite e pouquinho e acabou por volta das duas e meia da madrugada.
Rita começou a falar de Santos..que o time de Santos só fazia craque, que tinha o Pelé, o Zico… disse ‘’se eu não fosse corinthiana…” o que levou o publico a gritos e aplausos. Perguntou de uma certa lagoa/fonte que existe lá etc.
Não teve as inéditas (nóis e insonia), nem Vítima, nem Baby.
O show terminou e fomos ver a Rita entrar no carro pra podermos ir embora mais do que sossegados e satisfeitos.
E ela foi embora.. deixando um monte de gente feliz e com gostinho de quero muito mais.”


Em Ribeirão também tem Pic

segunda-feira, 23 de março de 2009

Estou encantada com Ribeirão Preto. Com as pessoas que conheci lá, com a cidade metade capital do agro-negócio (que lhe dá um ar interiorano, caipira), metade cidade grande (que lhe dá um ar da própria metrópole de São Paulo).
Logo vi que um lugar de onde saíram Antônio Bivar e Henrique Bartsch só poderia ser assim: incrível!Havia muita expectativa para esse Pic Nic. Pessoas que há muito tempo não se viam, alguns que há tempos não viam a Rita, os momentos que precederam a hora H foram curtidos com mil e-mail e planos.
Finalmente, lá estávamos na famosa Praça da Esplanada, naquele histórico dia 21 de março. Rubs, o trovador, pagou a rodada de chopp no Pinguim, o bar mais famoso de Ribeirão, colado no Theatro Pedro II.

Destaque para o bom Nei Lee, que foi meu guia neste episódio. O que a gente não faz pelos amigos, não é mesmo, Neizinho? Mais uma vez, obrigada por tudo e aquele beijo para sua família linda.

 

Momentos antes do show, eis que Henrique Bartsch me passa um presente de aniversário: o livro que eu tinha pedido no blog dele, a biografia de Carlos Imperial. Aqui, estamos com Nei, sua incrível irmã e marido num parque chamado Curupira, já na tarde de domingo. Delícia de espaço! Anteriormente, o famoso biógrafo havia assistido à passagem de som e, após o show, ficou com sua família, junto aos Lee Carvalhos, batendo papo. Aqui, Rita dá um beijo na filha mais nova de Bart, Bárbara. No espelho ao fundo, vemos as imagens refletidas do próprio Bart e de Pedro, seu filho.

 


Voltando ao sábado, o Theatro Dom Pedro é realmente um maravilhoso ambiente para recolher o show Rita Lee. Ficamos, o Fã-Clube, todos na primeira fila. Foi uma noite perfeita. Débora Reis voltou a abrir o espetáculo com “Big Spender”:

Rita cantou “Baby”, “Obama (Bwana), disse que tinha muitos amigos ali como Antônio Bivar, Henrique Bartsch e Sócrates.

 Elogiou o teatro, dizendo que o compraria. Realmente, é um belo espaço!

 

E houve uma homenagem ao aniversário de Beto Lee, que postei no You Tube, na presença de uma drag quen:
http://www.youtube.com/watch?v=X3ZOl0rH5yw

No final, ela nos recebeu no camarim com aquela simpatia de sempre. Enfim, uma noite maravilhosa que valeu as horas e horas de estrada que peguei. Ao lado, o detalhe do anel que dei pra ela, ou melhor, pra GunGun.

 

LEIAM O BLOG DE HENRIQUE BARTSCH, FOTOS MARAVILHOSAS SOBRE O SHOW DE RIBEIRÃO. NÃO PERCAM, VIREM SÓCIOS DE LÁ:

http://www.bartmoraaolado.blogspot.com/

Adorei esta foto que tirei dela com Edna:

Enfim! Como sempre, um ARRASO!!!

Detalhe da maravilhosa Rita Kfouri:

Um flagrante de Rita, em sua chegada a Ribeirão. Foto enviada pela amiga Edna:

Pic Nic em Bauretz

terça-feira, 17 de março de 2009

Eu não sabia que fazia tanto calor em Bauru… parecia o Rio de Janeiro sem praia. Mas essa temperatura é a ideal para um Pic Nic!
Daqui do Rio não tem busão pra lá. O jeito foi ir até São Paulo e pegar carona na charanga do Ademílson, juntamentemente com Daniela, a caravana doida era abastecida por canções de Rita Lee que iam ecoando na estrada. No último volume. Abaixo, eu e Ad:


Lá, nos juntamos a Kleber, Júnior, Pedro e Anderson. E fomos reconhecer a área do show. Gente, armaram uma tenda pra sherokee no meio do estacionamento. No dia anterior, Júlio Iglesias tinha baixado ali também. De fato, tudo estava muito bem organizado, tanto pela produção local, quanto pela de Rita. Mas isso nem é novidade.

Para chegar ao show, o público tinha à disposição vários ônibus de graça, pois que não dava pra estacionar pela área. Um deles, simplesmente, trazia a Rita em toda a sua extensão, sendo um divulgador do evento. Um luxo. teve gente querendo sequestrá-lo…


Na tenda cabiam duas mil pessoas. Ficou tudo lotado e alguns nem conseguiram entrar, pois os ingressos se esgotaram rapidamente. Os que puderam ir, foram agraciados com um show inesquecível.

Os painéis traziam novidades para o cenário, em vários momentos do espetáculo, como em “O bode e a cabra”.


Outra novidade foi a presença do novo tecladista, Danilo. SHOW. Fez aquela introdução para “Lança Perfume”, me senti no Maracanãzinho em 1981, asistindo ao show de mesmo nome. Arrepiante, Danilo já chegou dizendo a que veio. Seja muito bem-vindo!


A nossa querida estava com a macaca. Contou a história do bauretz, evocando Tim Maia… pediu uns objetos luminosos que viu na platéia, para dar para sua netinha… ganhou presentes, como uma sandália, comentando: “Que número é? 39/40? Ah, então cabe… Eu nunca tive peito, entretanto, pé…”


Pra variar, nós invadimos a cena um pouquinho antes do show terminar. E os seguranças locais vieram em cima, teve um, em especial, que chegou a puxar meu braço com força, várias vvezes, para me tirar de lá. O que vale é elogiar a tudo e agradecer pelo belo momento que Rita e sua equipe sempre nos proporciona.
Agora, é Ribeirão!

A coragem de Rita

segunda-feira, 9 de março de 2009

Na década de 40, o Brasil ainda estava respirando timidamente por liberdade. Depois do advento da República Velha e da Revolução de 30, que tirou o poder dos mineiros e dos paulistas, nos metendo numa tremenda ditadura (1937-1945), sem contar as duas Guerras Mundiais que a humanidade teve que encarar no início do século retrasado (a Segunda duraria de 1939 a 1945), não é de se estranhar que, depois de tanto baixo astral, as sociedades procurassem  ajustar os ideais humanitários, que tinham estado distanciados das atrocidades que um conflito mundial sempre traz.

Entretanto, aqui em Pindorama, como diria o grande Oswald de Andrade, a alegria de pobre iria durar pouco. Pra dizer a verdade, nem vinte anos teríamos de democracia. Logo, em 1964, entraríamos em mais ditadura só que dessa vez militar, que se estenderia por  vinte e um anos, cujas conseqüências são bastante claras para todos nós, principalmente a partir do AI-5, em dezembro de 1968.

Nesse período curto entre as democracias, temos o nascimento (1947) e a adolescência de Rita Lee, povoada de referências da cultura de massa, pela presença do rádio, das revistas e do próprio cinema, Já na década de 50, pela televisão. Os EUA, que saem vitoriosos na Segunda Guerra e conseguem superar a depressão econômica de 30, ditarão padrões de comportamento e ídolos serão projetados para o mundo todo… Dentre os quais, na música, Os Beatles, na década de sessenta. Vale notar que o termo beatles é oriundo dos beatniks, uma vigorosa geração literária de jovens rebeldes que utilizavam a literatura como meio de prostestarem contra os costumes arcaicos. Se a década de 60 foi a do amor livre e da pílula, entre outras posturas, deve agradecer aos anos 50, que com a presença contestatória da rebeldia, forneceu todos os elementos para alimentar as gerações subsequentes.

 

Em uma família visivelmente feminina, cuja única presença masculina era a do pai, Rita Lee sempre se interessou pelo mundo masculino, para ela, com muito maior liberdade do que o feminino. Por isso transformava a máquina de costura da mãe em carrinho de rolimã, brincando com os meninos pelas ruas próximas da  casa da Rua Joaquim Távora, do bairro de classe média da Vila Mariana.

Nos anos 60, lá estava Rita no meio de dois irmãos, a única cantora que resistiu a sucessivas formações pelas quais Os Mutantes passaram até chegar à fórmula dois rapazes, uma moça (Trio de Ouro, Jovem Guarda, entre outros). Fascinada pelo rock, um gênero considerado machista, no qual só despontara Janis Joplin com uma garganta privilegiada que a menina loura, filha de americano com italiana, julgava não ter, ela permaneceu fornecendo aos Mutas o toque mais genial, o que bolava as roupas e alimentava o deboche, sendo uma fiel tropicalista  aos preceitos de Oswald de Andrade, ela nunca se afastaria desta placenta modernista.

Quando levou um pé na bunda da famosa dupla Baptista, Rita buscou ser integrante de outra banda, embora já tivesse se lançado na carreira  solo desde os anos 70, sempre que os Mutantes quebravam o pau, fato logo desmentido para a imprensa pelos três… Assim, após a experiência com As Cilibrinas, dupla formada com a amiga Lucinha Turnbull, em 1973, enveredou pelo Tutti Frutti que, finalmente, viraria Rita Lee & Tutti Frutti, por imposição do chefão patropi, André Midani, um dos seus mais entusiasmados incentivadores, no meio das gravadoras. Com a ida para a Som LIvre em 75 e o afastamento de Lúcia Turnbull do Tutti, Rita passou a ser a única mulher a encarar uma banda roqueira.

A coragem sempre acompanhou Rita Lee. De noiva grávida no Festival; posando numa ousada contracapa, na cama com os irmãos Baptista; enfrentando um espaço sem querer utilizar da sua beleza física para isso, mas, pelo contrário, fazendo um auto-deboche dessa beleza com constantes caretas para os fotógrafos, (ela que foi uma manequim da Rodhia!). Corajosa, igualmente, ao assumir a gravidez de 76  em um momento em que já se tornara bastante popular pelo impulso que as suas músicas assumiam na telinha global, como trilhas de novelas. Desafiou a idéia burra de que roqueira não podia ser romântica, nem apaixonada, como estava, na ocasião,  por Roberto de Carvalho, outro que também teve coragem de assumir uma família com apenas 23 anos de idade, sendo considerado por alguns como um garotão de praia de Ipanema, que não seguraria aquela barra. O tempo mostrou o contrário.

Corajosa ao ser presa, corajosa ao fazer canções que demonstravam estar apaixonada, corajosa até hoje , por estar na estrada, com mais de 60 anos, sempre levando multidões com ela, em seus shows. Corajosa por se auto-denominar uma vovó, metade a Donalda das tortas e dos aventais e metade a Dercy Gonçalves, do escracho. Corajosa por contar a todos o seu maior segredo, mesmo sem perceber…

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